Nosso vídeo argumento

Boa noite, leitores do blog!

É depois de muitas horas de filmagem, escrita (apaga, desapaga, apaga), edição de vídeo e dedicação – no que se mostrou a semana mais estressante do bimestre – que trazemos pra cá nosso vídeo argumento! Ele é o primeiro trabalho em vídeo que estamos entregando pro MNM, e ele serve como nossa avaliação da vez: justificamos a relevância sociocultural do subtema que escolhemos (e agora pra valer!) e começamos a desenvolver ideias que estão se montando por trás dele.

Esperamos que você goste desse vídeo tanto quanto a gente!

Já podem ir desligando os celulares, tem um espetáculo pronto pra começar 😉

– O Grupo, que já está praticamente pronto para dirigir as próximas indicações ao Oscar

Sugestões de peças para assistir

Sugestões de peças para assistir

Aqui temos uma breve seleção de duas peças para ir nesse fim de semana, espero que curtam:

Alegria Alegria

Essa é uma peça que comemora a os 50 anos da Tropicália (movimento que revolucionou a musica popular e a cultura brasileira).  Esse musical esta sendo apresentado no teatro Santander. Se quiser mais detalhes da uma olhadinha no site(link logo abaixo).

Link para interessados: http://www.teatrosantander.com.br/programacao/alegria-alegria#

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60! Decada de arromba

“60 foi uma década muito importante em vários aspectos: nas artes, no esporte, nos movimentos sociais e políticos e no avanço tecnológico. Descobri durante o processo da peça que estávamos fazendo um documentário musical, em que cantamos toda a história sem utilizar nenhum personagem real. A única personagem que trazemos para a cena é a Wanderléa, interpretando ela mesma. Um luxo”, conta o diretor Frederico Reder.

Link para interessados: http://www.theatronetsaopaulo.com.br/pt-br/programacao/209/60!_D%C3%89CADA_DE_ARROMBA_-_DOC._MUSICAL_.html

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Que jogo!

A final da champions league no último sábado(03/06/17) foi um belo jogo! Real madrid 4 x 1 Juventus foi o placar,com lindos gols e destaque para o artilheiro Cristiano Ronaldo.O time madrileño conquistou a 12ª taça que ficará para sempre no museu do clube e na memória dos torcedores. HALA MADRID!

Guilherme bruni

Alegria Alegria, o Musical – Resenha

Foto: Cons

Assistimos, neste último sábado (03), a peça “Alegria Alegria, o Musical”, em cartaz no teatro Santander. Comemorando os 50 anos do Tropicalismo, a produção se propõe a homenagear e trazer a vida os ritmos, as cores, os jeitos e o som da Tropicália. As músicas de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Roberto Carlos remetem à celebração da alegria em um contexto de ditadura militar. Em cima de um palco sem cenários elaborados, o grupo de artistas se apoia nas trocas de figurinos e disposição durante as performances para dar cara ao espetáculo.

Zélia Duncan, cantora carioca, conduz a peça como narradora, ditando a ordem e o formato das cenas, que não se baseiam em um enredo propriamente dito. Com 15 atores que compõem um coral, não há personagens. Fomos surpreendidas pelo talento dos cantores – simultaneamente dançarinos e intérpretes – que nos trouxeram inúmeros sentimentos e emoções por meio das canções (sem perder, em momento algum, o tom ou o ritmo). O espetáculo mostra-se praticamente impecável em questões técnicas: além das músicas, o figurino era criativo e esteticamente muito bonito, colorindo o palco.

Os melhores aspectos, segundo nossa visão, com certeza foram os integrantes, a energia e a atmosfera criada na 1h30min de duração do espetáculo. A junção das diversas vozes dos cantores causou um efeito que deu força e profundidade, além de emoção, para as músicas, as fazendo tocantes e emocionantes, nunca deixando nossos olhos saírem do palco.

Sempre mantendo uma posição positiva e alegre, a peça nos faz refletir sobre o teor da cultura brasileira, sendo essa extremamente diversa e por muitas vezes menosprezada. Assim, a apresentação faz refletir sobre como a cultura internacional é muitas vezes preferida em detrimento à nacional. A apresentação procura, dessa forma, acentuar a grandiosidade das criações brasileiras. O otimismo não é nunca deixado de lado e tem impacto significativo em ambos os momentos históricos contemplados: a ditadura militar e a crise atual em que vive o país.

Mas como em todo espetáculo, existem pontos negativos. Mesmo não sendo seu objetivo inicial, a peça peca no aspecto informativo e didático, não ampliando o conhecimento de um público que pode ser possivelmente leigo sobre esse tema. Esse, para ter uma experiência completa, necessitava de um conhecimento prévio do contexto e da história das músicas para que o espetáculo tivesse um real impacto; talvez, ao celebrar os 50 anos da Tropicália, fosse interessante trazer informação ao novo público, que não viveu esse momento ou simplesmente não teve contato com o mesmo. Nós, como parte dessa nova geração de espectadores, encontramos dificuldade ao envolvermo-nos com a temática apresentada.

A falta de contextualização do momento político-social em que o país vivia também é fator que diminui a qualidade geral da apresentação. Não é possível retratar esse movimento sem apresentar o período em que ele se insere, uma vez que este é essencial para a criação do mesmo (e o Tropicalismo surge como resposta à ditadura). Seria proveitoso que a peça mostrasse as atitudes que esse grupo de artistas teve para manter a alegria e a positividade na música e na população nesse momento tão duro da história do Brasil. Estabelecendo-se uma clara relação de causa e consequência entre o movimento e o contexto, a não abordagem da ditadura (com a profundidade considerada por nós necessária), faz com que as músicas acabem ficando sem um sentido ou importância significativa. Soma-se a isso o fato da peça ser majoritariamente embasada na memória do diretor Moacyr Góes, sem um grande embasamento teórico e de pesquisa completa do período, com uma seleção não objetiva das músicas.

Considerando o acervo musical disponível para a construção do espetáculo, há uso excessivo da voz e letra de Caetano Veloso que, apesar de ser referência do movimento, não foi o único nome de impacto dessa época. Os compositores Tom Zé, Maria Bethânia e  outros, que nem sequer foram incluídos na seleção de músicas, são claro exemplo desse aspecto.

Finalmente, acreditamos que a diversidade do elenco é algo a ser observado: no nosso momento de apresentação, uma das atrizes principais – que é negra – não pode estar presente, e isso fez com que sentíssemos falta de rostos representativos da população brasileira e desses movimentos como um todo (que, inclusive, é assunto de algumas das cenas e não tem espaço em cima do palco). Além disso, nos incomodou a representação de algumas minorias sociais como os indígenas na peça. Por mais que haja uma representação dessa com descendentes desse povo no elenco, a caracterização caricata desses indivíduos em cenas como o descobrimento do Brasil foi um tanto quanto desnecessária.

Esperamos que você, leitor, possa assistir a peça com essas ideias que apresentamos em mente. O espetáculo vale a pena, independentemente se pelo aspecto teatral ou pelas reflexões motivadas a partir desta: é importante que falemos e que desenvolvam-se discussões a cerca da cultura brasileira (em todos os aspectos) e não nos deixemos acreditar que ela é apenas alegria, alegria.

Pode mandar pra gente seus pensamentos e reflexões pessoais, a gente não cansa de conversar sobre isso 🙂

– Gabi & Cons, que queriam saber cantar e dançar

 

 

 

 

Seis boas razões para ir ao teatro

POST INSPIRADO EM MATÉRIA DO PORTAL DO ESTADÃO (http://cultura.estadao.com.br/noticias/teatro-e-danca,veja-dez-boas-razoes-para-ir-ao-teatro,1696823 / acesso: 02 de junho de 2017)

É uma experiência única

Se você for a duas sessões de uma mesma peça, pode ter certeza que elas não serão iguais. É claro que o texto e a encenação são os mesmos, mas o teatro é vivo, e cada apresentação é única.

É uma experiência sensorial

O teatro é uma arte essencialmente presencial. Tudo acontece ali na sua frente, do modo mais orgânico possível. Dá pra sentir a ira de um personagem ou até o nervosismo do próprio ator.

Obriga você a sair de casa

Com a possibilidade de ver filmes online, às vezes tendemos a ficar em casa. Já tentaram colocar o teatro em vídeo, mas não dá certo. Para ver uma boa peça, é preciso sair do sofá.

“Ir ao teatro é muito caro!”

Sim, há peças bem caras. Mas tem muitos espetáculos baratos e inclusive alguns grátis. Vale dar uma conferida na programação!

Nada supera presenciar o trabalho de um bom ator

Ver o ápice do trabalho de um grande ator em uma peça não tem preço. Cinema e novela também conseguem um bom efeito, mas estar cara a cara com a pessoa, fazendo, por exemplo, um intenso monólogo, é uma outra experiência.

Há vários jeitos de se contar uma história

O teatro é feito na frente de todos, sem recursos de edição. E quando a produção tem pouco dinheiro, pode ficar ainda mais interessante. Em uma peça, perceba como a história é contada, a linguagem usada por diretores, se mescla projeções, dança…

E aí, tá esperando o que?

Reflexões sobre o tema (visto, de novo, de dentro da bolha)

O Móbile na Metrópole nos abriu os olhos para muitas reflexões e expandiu bastante nossos horizontes, ao descobrirmos e redescobrirmos a cidade, como contamos nos posts anteriores. Individualmente, acabamos nos focando mais nas transformações em âmbito pessoal e também no pequeno coletivo. Depois, já de volta na bolha e remoendo as ideias na cabeça, começamos a relacionar nossas experiências na saída com nosso o tema, apesar deste ainda estar em fase de crescimento, e perceber como algumas dessas se encaixam direitinho com ele.

De cara, é fácil perceber como a cidade é claramente dividida em mundos diferentes. A segregação socioespacial, que parte muitas vezes de questões relacionadas à renda, se reflete nas características dos bairros, dos estabelecimentos e do público regular dos mesmos. Isso também acaba influenciando diretamente na forma como o teatro aparece nesses espaços, relacionando-se com nosso tema, que propõe contrastar espaços de produção teatral nos diferentes pontos da metrópole e a influência desses no que se passa em cima palco. Nesse aspecto, percebemos que até mesmo a cidade carrega uma persona: às vezes cinza e fria, mas muitas vezes alegre e cheia de calor e amor.  

Como exemplo disso mas também como nova reflexão, entramos no universo do Grupo XIX de teatro. Ocupando o espaço da antiga vila Maria Zélia de operários, os atores trabalham de forma não convencional (se considerarmos o teatro com o qual estamos normalmente em contato, com plateia, palco e a parede invisível que os separa) ao criarem peças interativas com o público e utilizando-se do ambiente como recurso cênico. Assim, mostram que existem diferentes formas de entender e expressar essa arte. Esse encontro nos fez refletir sobre como tendemos a imaginar o teatro de uma forma específica e tradicional, que não reflete a realidade da cidade como um todo. Com nosso mini doc, procuraremos explorar ambos os estilos teatrais da metrópole.

Embora não tenhamos visto muitas coisas sobre o teatro especificamente, isso não significou que não conseguimos vê-lo. Na realidade, essa viagem só provou que o teatro está (ou pode estar) em todo os lugares de São Paulo, desde os grafites do Bixiga até no centro de acolhida a mulheres trans em pequenas apresentações e cenas nas ruas. De volta à nossa realidade cotidiana, então, nos colocamos frente à novas questões motivadas pelas vivências e conversas durante os três dias de estudo do meio e procuraremos aprofundar essas reflexões por meio de pesquisas, entrevistas e observações pela cidade nos próximos meses.

– O Grupo, que agora vê com novos olhos

 

Móbile na Metrópole pelos meus olhos (ou palavras), Gabi

(já de antemão: desculpa, me animei e escrevi muito)

QUARTA-FEIRA, PRIMEIRO DIA

Acordei antes do despertador. É, isso era o quanto eu não conseguia conter a minha ansiedade.

Levantei antes do sol e numa casa que ainda dormia. Acho impossível descrever a forma como a gente se sente antes desses grandes eventos; sabe aquela mistura de nervosismo com ansiedade com felicidade e medo que parece preencher o peito da gente? Dependo de você, leitor, já ter se sentido assim para entender toda essa bagunça que passava dentro de mim só nessa quarta-feira, 5:30 da manhã (precisávamos nos encontrar na Móbile mais ou menos às 6:30). E tudo isso tendo que ser sentido em silêncio para não acordar minha irmã mais nova, com quem divido o quarto.

No dia anterior a esse, quando fomos ao Museu da Imagem e do Som assistir ao documentário (R)evoluções Invisíveis, já tinhamos sido separados por roteiro e, por isso, já sabíamos quem seria o professor nos acompanharia nos três dias de viagem. Contrário a qualquer coisa que eu poderia ter previsto nos meus discursos infinitos de tentar prever quem iria em qual roteiro, nosso professor-líder foi o Wilton, diretor da escola incrível que escreveu nossos livros de português (o peso do Conexões de Literatura, que mora na minha mochila? Ele que é responsável), só passa nas salas quando o assunto é muito sério e é praticamente o inventor das bibliotecas culturais. Sem pressão nenhuma – não é como se eu fosse um pouco tímida pra me colocar ao redor de pessoas com quem eu não costumo falar.

Bom, enfim. Cheguei na Móbile, deixei minha mala no ônibus, dei bom dia pras minhas amigas e alguns professores e logo fomos chamados para sentar em roda com os grupos. Éramos um total de 21 alunos (eu era número sete na chamada), o Wilton, um monitor da Uggi (que nesse primeiro dia foi o Jeferson) e a Giulia, monitora de história do 1º ano (que se veste muito bem). Passamos o roteiro rapidinho, recebemos nosso bilhete único e decidimos que iríamos de ônibus para nossa primeira parada da metrópole: Aro 27, um bike café em Pinheiros.

Andamos até o ponto e, com um help do Google Maps (abençoado seja), pegamos o ônibus. Ok, amigo-leitor, preciso ser bem sincera aqui: eu não sei (lê-se sabia depois dos três dias) me locomover pela cidade usando transporte público. Dá pra contar nos dedos as vezes que eu peguei um ônibus e sim, isso é chato, mas é um dos costumes que, na zona de conforto, a gente acaba não questionando e termina só chamando um uber mesmo. Mas aí, na vibe de experienciar São Paulo de um jeito diferente, tentei ler meu livro (1984, fiél companheiro de aventuras metropolitanas) em pé para me sentir parte do ambiente. Obviamente não deu certo e só prova o quanto eu não sei andar de ônibus.

Chegamos ao Aro 27, que fica em uma casa fofíssima de dois andares pintada de azul, com duas bicicletas meio retrô expostas na varanda do andar de cima. O que mais me lembro de lá é o cheiro: ah, se desse para eu trazer aquele cheirinho de café e conforto aqui pro blog… Conversamos com o Fábio, dono e criador do espaço, sobre a mobilidade urbana e questões desse tipo. Ainda estávamos um pouco tímidos e o Wil teve que dar uns empurrõezinhos. Depois, fomos brincar de críticos gastronômicos e comer no café. Amigo-leitor, você não pode imaginar o cookie de chocolate que eles servem lá. É demais. Antes de irmos embora, sentamos em roda pra fazer uma meditação. Fechamos os olhos e o Jef começou a ler um texto bem desses de yoga mesmo, de se imaginar em outros lugares e esvaziar a mente. Eu, pessoalmente, gosto muito dessas coisas e me senti muito relaxada. Foi um jeito legal de nos inserir no ambiente Móbile na Metrópole.

Saindo, íamos andar até o House of All, que era nosso próximo programa. Só que ai, quando estávamos passando pelo Largo da Batata, um moço japonês abordou o grupo e perguntou o quê estávamos fazendo ali e se ele poderia fazer uma dinâmica com a gente – o Wilton disse que sim, então sim. Nos juntamos de novo em roda, dessa vez em pé, e íamos usando nosso corpo para fazer música, batendo na boca, bochechas, peito, mãos, pernas e etc. Foi uma experiência bem divertida e um momento em que eu fiquei bem absorta no que estava acontecendo na hora. Pensando agora, deve ter parecido meio ridículo para os passantes: pra mim foi super legal, apesar dos meus ritmos não serem nada criativos. Demos boas risadas e foi bom porque isso uniu um pouco mais o grupo. O comentário chato que precisa ser feito agora, posteriormente: descobri, falando com o pessoal dos outros roteiros, que não foi espontâneo e o pessoal era contratado de um grupo chamado Barbatuques. Do mesmo jeito, eu curti muito e tava super acreditando que era genuinamente espontâneo, vindo da mágica de estar aberto à cidade.

Depois, seguimos caminho e continuamos andando pro House of All (andamos bastante, eu acho, mas eu e as meninas do grupo fomos conversando e rindo e acabou passando bem rápido). O lugar lá é um conjunto de quatro casas geminadas que baseia seus trabalhos no princípio do co-working. Basicamente, a coisa é compartilhar; cada uma das casas é focada em algo diferente: de uma forma bem resumida, a House of Bubbles tem um sistema de lavanderia e empréstimo de roupas, a House of Food tem um espaço de cozinha industrial disponível para chefes e chefes-experimentais, a House of Work têm salas de reunião e lugares para trabalhar (tipo mesas para computador e essas coisas) e a House of Learning disponibiliza espaços para aulas e palestras. Cada uma delas era decorada de um jeito diferente, mas muito moderno e bonito (quero vários dos quadros que vi lá). Elas são bem verticais e as escadas são apertadas, lembrando aquelas casinhas brancas de Londres. Apesar de algumas colegas terem apontado alguns problemas, como o preço cobrado para ser “membro” e como isso poderia gerar uma segregação, eu achei a ideia por trás, de compartilhar as coisas, sensacional. Acho que isso me encantou porque quebra muito com o vício do individualismo em que a gente vive inseridos (e que o capitalismo acentua, na minha opinião), no sentido que não é regra viver de um certo jeito, sabe? Vou desenvolver mais essa reflexão na parte das coisas que mais me marcaram, então segura ela aí e vai me imaginando com esse comecinho de ideia na cabeça durante todos os dias.

Depois daí andamos até o Instituo Tomie Ohtake para ver a exposição da Yoko Ono, “O céu ainda é azul, você sabe…”. Eu queria que nosso tempo lá dentro tivesse sido infinitamente maior e com certeza eu vou voltar, porque a Yoko tem umas propostas incríveis e bem não-tradicionais quando se trata da relação estabelecida entre a obra e o espectador, já que toma-se um papel muito mais ativo do que simplesmente observador. Acabou sendo muita informação ao mesmo tempo e eu não consegui absorver tudo direito, mas lá dentro eu vi uma árvore de desejos, um mapa todo carimbado com “imagine a paz/imagine peace”, relatos de mulheres que sofreram algum tipo de abuso, quadros que tornavam-nos a própria obra (toque, escute, observe), uma tela com galões de tinta azul, vermelha e amarela do lado pra pintar, uma mesa lotada de louça quebrada… É, muita coisa e pouco tempo. Mas saí de lá com a certeza que a Yoko Ono é muito mais do que só a viúva do John Lennon.

O que fizemos em seguida foi almoçar. Amigo-leitor, amigo-leitor. Levaram a gente em um restaurante vegetariano e eu juro que eu tentei me abrir para essas novas experiências, mas foi MUITO DIFÍCIL porque a comida não parecia nem um pouco com o meu arroz e feijão de todo dia. Já comecei furando o combinado e pedi uma água de coco por fora do cardápio, já que os sucos eram mucho locos e eu não. Aí de prato eu pedi um hamburguer, que de hamburguer não tinha nada (nem pão!). O resumo da obra é que eu acabei comendo (escondido, por vergonha) duas fatias de pão Pullman que deram pra gente no metrô e nem fiquei com fome. Acho que talvez o cardápio fechado tenha dificultado um pouco, porque a Teresa me disse (de noite, no hotel) que gostava muito de lá. Pela minha experiência, ele não leva nenhuma estrela Michelin.

Nossa próxima parada era o Coletivo Digital, bem na rua do restaurante mesmo. Esse também é um lugar de compartilhar trabalho, apesar de diferente das Houses que visitamos mais cedo. Eles são um grupo de pessoas especializadas em coisas que tem, em sua maioria, a ver com tecnologia, e também disponibilizam o espaço para exposições e pequenas apresentações de música. Ah, e eles têm um estúdio de gravação que eu achei super legal. Achei bem interessante observar a forma como eles, assim como o pessoal das Houses, utiliza o espaço de casas que são tradicionalmente residenciais e o adaptam para as coisas que querem fazer.

O próximo passo me decepciona porque é nele que pulamos o programa que eu tava mais ansiosa para fazer, que era a biblioteca de poesia. A gente ia encontrar o João Galera lá, mas por uma questão de horários e logística acabamos não indo. Fiquei chateada na hora, mas já sei que voltarei pra conhecer o lugar por contra própria (e o Wilton disse que me encontra lá pra tomar um café, porque é do lado da casa dele).

O João Galera, de quem eu falei ali, é um artista incrível que desenha fachadas de casinhas de estilo mais tradicional aqui em São Paulo antes que elas sejam destruídas. A exposição se chama “Antes que Acabe”. A biblioteca de poesia não sediou o encontro então acabamos indo – pasme – para a casa dele. É um apartamento muito fofo e aconchegante, cheinho de plantas e quadros na parede (bem casa de artista, mesmo). Os desenhos originais dele estavam todos lá e foi surreal ver umas coisas tão perfeitas de perto. Eles são todos feitos com caneta fina preta e fazem parecer que é fácil pegar um papel e reproduzir imagens desse jeito. Ele mostrou pra gente os cadernos que ele leva pras viagens e até agora eu tô bem impressionada (e querendo fazer aula de desenho, diga-se de passagem).

Saímos de lá e fomos para a estação de metrô rumo ao centro, onde visitaríamos uma ocupação do MST e onde ficava nosso hotel também. Rolou uma confusão com a numeração dos prédios e acabamos subindo e descendo uma mesma rua tipo um milhão de vezes e nos atrasando. Eu poderia ter ficado chateada mas, sinceramente, eu já tava TÃO cansada naquela altura do campeonato que eu queria mesmo chegar no hotel. Fizemos o fechamento do dia (cada um dizendo o que mais tinha gostado e os sentimentos) na frente da Biblioteca Mário de Andrade (linda, incrível, amo). Finalizando o relato desse dia de roteiro, acho que posso dizer que talvez eu não tenha me divertido muito só porque eu não estava muito confortável com o pessoal e acabei, assim, não me abrindo tanto e ficando mais na minha (quem me conhece sabe. O grupo deve ter me achado quieta nesse primeiro dia, porque o barulho fica só dentro da minha cabeça mesmo). Dei uns passinhos na direção de estar à vontade com o pessoal do grupo, e o Wilton foi super carinhoso o dia inteiro (dando, inclusive, as mais altas dicas pro trabalho), mas naquele momento eu ainda tava um pouco pra baixo e pensando o que minhas amigas tinham feito nos outros roteiros.

Assim, fiiiiiinalmente chegamos ao hotel, já bem em cima da hora do jantar. Fiquei até um pouco chocada porque o hotel era super arrumado e chique, desses de conferência com vários andares. Admito que foi extremamente reconfortante ver os rostos conhecidos das minhas amigas e professores mais próximos. Eu só queria abraçar todos eles (e ficar abraçada pra sempre) e levá-los na mochila comigo para as aventuras do dia, não dá pra negar. Na mesa, com meu hamburguer de verdade em mãos (sim, restaurante vegetariano, é pra você mesmo que eu tô olhando), colocamos todos os acontecimentos em dia (foi muita emoção, tenho certeza que acabamos incomodando vários hóspedes-não-mobilianos com o barulho). A atividade de depois do jantar eram as oficinas, que escolhemos na semana anterior. Eram três opções: break, sticker e parkour. Eu me inscrevi no parkour toda animada, mas amigo-leitor, naquela hora pós-jantar com o cansaço pesando nas costas só faltava eu fazer uma Gabi criança e chorar porque não queria ir (eu até pedi pra Teresa pra mudar pro sticker, e eu acho que ela tava bem pensando no meu caso. Eu tava tão convencida que eu não ia que eu nem desci com meia no tênis). Mas aí eu decidi ser solidária à Ana, amiga com quem eu me inscrevi, engolir o choro, fingir que não precisava descansar e ir aproveitar o parkour (a meia eu peguei emprestada da Cons).

No final, fico MUITO feliz de ter decidido ficar. Todos fomos até a praça Roosevelt e nos dividimos em grupos. O nosso instrutor era fenomenal! Eu ainda fico impressionada com a consciência corporal que ele tinha, pulando de um lado pro outro nos muros como se tivesse andando no chão, de boa. Os desafios iam aumentando de dificuldade gradualmente, e eu, pequenina e fraquinha, não avancei tanto quando os meninos gigantes e fortes. Isso não significa que eu não tenha me divertido horrores com todo mundo que tava lá: a atmosfera tava muito leve e gostosa, com um dos grupos de break ensaiando bem do nosso lado, os skatistas na deles andando e fazendo aquelas manobras radicais que fazem meu coração quase parar de bater, o André (professor de LP) dando apoio e sei lá, todo mundo muito afim de fazer as coisas e se divertir. Pra você ter uma noção, meu celular ficou jogado na cama do hotel, sozinho e abandonado como ele nunca esteve, e eu não poderia ter dado menos falta dele. Não sei nem dizer quanto tempo a gente ficou lá.

A batalha dos dois grupos de break foi SEN-SA-CIO-NAL e eu não consigo te descrever, amigo-leitor, como foi assistir o João fazendo aqueles passos muito loucos e todos os meus amigos lá, na maior vibe. A gente deu sorte de presenciar de camarote, já que a outra metade do parkour e o sticker ficaram só com os relatos eufóricos e vídeos mandados nos grupos de whatsapp depois. Eu ri e gritei tanto! Foi maravilhoso, porque levantou demais meu espírito e eu nem lembrava mais de estar cansada.

Voltamos hiper animados na rua, correndo, cantando e tudo mais. Mas chegar no quarto quentinho depois de um dia com esse nível de energia, meu Deus, foi o paraíso na Terra. Tomei um banho quente e não parei de conversar com a Cons (com quem eu dividi o quarto) até o minuto que minha cabeça encostou no travesseiro e eu me deixei tomar pelo cansaço.

Ufa, terminei o primeiro dia.

QUINTA-FEIRA, SEGUNDO DIA

Acordei antes do despertador mais uma vez e não fiquei nada feliz com esse hábito que meu corpo deu de inventar.

Descemos para o café e essa foi uma boa surpresa: assim como no jantar, a comida tava muito boa. Eu, pessoalmente, amo cafés da manhã de hotel, então esse foi um ótimo jeito de começar o dia. Conversei e aproveitei esse último momento de turma toda junta pra ir me reunir com grupo logo depois.

Nesse segundo dia, nosso roteiro era o do Bixiga. Acho que só de começar o dia em um mini ponto alto, junto com toda a felicidade da noite anterior, me fez chegar com o coração mais aberto. Todo mundo chegou no horário, menos o Wilton (ele que faz os horários, então tudo certo). Essa mini reunião de espera foi legal pra já começar a conversar com o pessoal. Uma proposta que eu achei muito legal, para esse dia, foi que a gente precisava chegar aos lugares sem usar o celular, só perguntando por aí.

Nosso primeiro destino foi a Casa do Mestre Ananias, de capoeira. Era relativamente perto do hotel, então andamos no friozinho até lá. Foi legal para observar a arquitetura colonial das casas na região central da cidade e, ao mesmo tempo, triste perceber o quão mal conservadas elas estão. Enfim. A Casa fica em um espaçinho pequeno mas muito modesto e arrumado, de portas sempre abertas (literalmente). Nosso monitor do dia (o Pedrinho) nos deu uma introdução sobre a história do bairro do Bixiga e as ondas de migração nessa área, justificando a presença de tantas culturas diferentes sobrepostas em um mesmo lugar. Conversamos também sobre o apagamento dos negros da história, como já visto em aula, e de uma tendência de embranquecimento do nosso passado. Entrando, sentamos em roda com o instrutor de lá, chamado Minhoca. Ele era muito simpático, tinha muita disponibilidade pra responder nossas perguntas e tinha uma energia muito positiva, o que me deixou muito feliz. Ele nos contou um pouco sobre a trajetória do Mestre Ananias, da história da capoeira no Brasil e como o movimento se mantém hoje em dia, falou das origens pessoais dele, cantou e tocou no berimbau as músicas de roda (que acabaram sendo cantadas durante a viagem toda sem parar e ainda estão na minha cabeça), apresentou os movimentos da capoeira e chamou uns corajosos pra lutar também e, uma das melhores coisas, nos ensinou a fazer paçoca com um pilão. Caramba, MUITO boa.

Todo mundo saiu feliz de lá. Andando, de novo, seguimos até a Paróquia da Nossa Senhora Achiropita, muito famosa pela grande festa que já é quase tradição da São Paulo italiana. Fomos recebidos por um padre, que conversou conosco rapidinho sobre essas heranças culturais na cidade, o papel da igreja na região e alguns pontos da religião. Foi interessante ouvir o que ele tinha para dizer porque, apesar de ter um discurso bastante conservador, foi possível contrastar as duas falas (do Minhoca e do padre) e, assim, conseguir ver de forma bem clara dois lados coexistentes no bairro.

Depois disso, fomos almoçar em um restaurante peruano que tinha os maiores pratos com os quais eu já lutei. Sério, amigo-leitor, eles eram IMENSOS e eu tentei muito comer tudo, mas acabei derrotada e tendo que pedir ajuda dos meninos (não sei para onde vai tanta comida). Pelo trauma do dia anterior, pedi comidas que eu sabia que não tinha como errar: arroz, ovo, carne e batata. Fome, nesse dia, eu não passei.

Ao final do almoço, fomos até a estação de metrô para irmos ao nosso programa mais distante, que não dava pra fazer andando: íamos até uma mesquita no Brás. Eu nunca tinha visitado esse bairro, e a caminhada do metrô até a mesquita foi um belo choque. Eu não costumo andar por ruas muito cheias ou com pouco espaço, e o Brás era exatamente isso. Com lojas e camelôs na mesma calçada, a passagem fica difícil e a gente se vê completamente perdido no meio de tudo isso. Por sorte, o caminho era uma linha reta. Andamos por uma meia hora (acho) e encontramos a mesquita. Já adianto que nossa experiência lá não foi das melhores, dependendo do ponto de vista. É que assim: chegando lá, nos levaram para uma das grandes salas de reza, que tem bastante espaço livre, e ficamos esperando o sheik e o intérprete dele. Nós, meninas, colocamos véu na cabeça e tudo. Quando eles chegaram, nos informaram que teríamos 20 minutos para fazermos perguntas. Assim, sem falar nada antes e, acho, que nem esperando nada depois. Com aquela postura de aluno-Móbile, o grupo ficou todo meio hesitante e dava pra sentir o nervosismo no ar, tipo uma energia ruim. Às poucas perguntas feitas, recebemos respostas no estilo meio curto e grosso e, em uma delas, inclusive na defensiva e de forma bem vertical. Realmente não tava legal e ninguém estava se sentindo à vontade. O Wilton, obviamente, percebeu e terminou nossa visita mais cedo. Saímos de lá e ele nos disse que não somos obrigados, nunca, a permanecer em locais onde estamos sendo desrespeitados. Todo mundo saiu de lá bem tenso, mas foi uma experiência da qual eu posso tirar várias coisas, considerando aquele espaço da mesquita um microcosmos (mais sobre essa reflexão, também, na parte das coisas que mais me marcaram).

Voltamos a longa rua do Brás de volta para o metrô. Só pra finalizar o momento mesquita, o Wil inclusive ligou para o João, que ia vir com o grupo também, dizendo para que eles não viessem. Entramos no metrô e fomos em direção à nossa última parada, que era o Centro de Referência e Defesa da Diversidade. No caminho, um dos momentos mais marcantes para várias pessoas do nosso grupo: enquanto caminhávamos, um homem caiu no chão e começou a convulsionar, provavelmente por causa do uso excessivo de drogas. Eu estava andando do lado do Wilton, mais para trás do grupo, e ele me segurou pelo ombro e me levou muito rápido pra longe da cena. Na verdade, eu nem sabia direito o que tinha acontecido e me acabaram me contando depois.

O Centro de Referência foi incrível. Fomos recebidos por duas mulheres trans que administram o espaço e tivemos uma conversa muito aberta sobre questões de gênero e sexualidade com elas. Ouvir, de uma mulher trans, das experiências pessoais e a forma como elas se encaixam e enxergam a sociedade foi bem único pra mim. Lá, eles trabalham como um espaço de desenvolvimento social que procura auxiliar a população LGBT nas mais variadas situações, como oferecendo acolhida, atendimento e etc. Infelizmente não pudemos ficar muito tempo.

Antes de voltarmos ao hotel, fizemos o fechamento na praça logo em frente a ele. Eu fico até aliviada de pensar o quão melhor foi esse dia pra mim, porque eu consegui me abrir mais e me sentir efetivamente parte do grupo. De volta ao saguão, rolou a mesma comoção do dia anterior, apesar de mais contida. Jantamos e saímos para o que seria, pra mim, um dos pontos mais extremamente altos do estudo do meio inteiro: o sarau.

Ele aconteceu em um lugar de música bem perto do hotel, onde inclusive tava rolando uma outra apresentação bem legal. Fomos até a sala que a Móbile tinha reservado: ela era maior de comprido, tinha um mini palco e as paredes eram todas de tijolo. Descobrimos logo que o equipamento de som não tinha chegado (acho que foi isso), e por isso faríamos uma coisa bem mais acústica mesmo, só instrumento e voz. O Fepa pediu que desligássemos os celulares e não usássemos câmera, pra viver bem o momento. Sinceramente, eu acho que essa foi a melhor forma que o sarau podia ter acontecido, com todos os 170 e poucos alunos , de corpo e alma. É engraçado, mas eu não gosto nem de pensar muito nesse momento por medo de mudar alguma memória dessas não-sei-quantas horas que foram tão perfeitas. Várias pessoas se apresentaram, todo mundo cantou junto em vários momentos e eu chorei bastante. Acho que eu fui muito preenchida por tudo aquilo e aí eu me emocionei.

Voltando ao hotel, tivemos um tempinho em uma sala para cantar parabéns pros aniversariantes da semana. Esse é outro momento que, só de pensar, já traz o sorriso de volta ao rosto. Amigo-leitor, foi muito bom, de um jeito que eu nem consigo explicar. Só nesses minutos que a gente passou lá eu ouvi coisas muito especiais de pessoas muito queridas pra mim (e que cada dia ficam mais e mais dentro do meu coração) e recebi o melhor abraço de todos. Ai, eu sei lá, tá difícil colocar em palavras. Essa noite passou incrivelmente rápido mas foi uma das melhores que eu vivi recentemente.

Fui dormir muito, muito, muito feliz.

SEXTA-FEIRA, TERCEIRO DIA

Dessa vez eu não acordei antes do despertador (yey!), mas levantei da cama já com um som alto de chuva lá fora.

Ela não deu trégua: choveu muito o dia todo e isso deu uma estragada nos planos (os quais a gente nem sabia quais eram). Acordamos um pouco mais cedo para arrumar e deixar as malas no ônibus, tomamos café e nos reunimos no grupo para irmos juntos à Vila Maria Zélia assistir uma peça de teatro do Grupo XIX. Dessa vez foi um aluno que atrasou um pouco porque dormiu demais.

Pegamos um metrô e depois um ônibus para chegar na antiga vila de operários. Eu nunca tinha ido em uma dessas e, sinceramente, nem ouvido falar nisso: construíam essas vilas para que os trabalhadores pudessem morar em essa espécie de mini cidade próximas ao trabalho. Esse grupo de teatro apropriou-se espaços históricos que estavam completamente abandonados e tornaram o lugar parte importante de suas produções teatrais. Queria poder te explicar melhor como eles funcionam, amigo-leitor, mas a peça é ao ar livre e, por causa da chuva, não pudemos assisti-la e ficamos só na conversa com os atores e diretores do grupo (eu fiz duas perguntas!). Com nosso tema e minha curiosidade, pode ter certeza absoluta que a gente volta lá e te explica melhor. A conversa foi ótima, também, e discutimos sobre a forma como eles trabalham a relação da cidade ou do espaço com as narrativas ficcionais criadas, a forma como eles sobrevivem e funcionam como grupo de teatro fora do grande circuito, formações e sonhos dos atores e algumas outras coisinhas.

O momento pós-conversa foi um pouco bagunçado e eu, sinceramente, não amei a forma como o meu dia aconteceu depois dele. Não que tenha sido ruim, é só que como dia de conclusão e sabendo, no fim da tarde, o que os outros grupos tinham feito, eu fiquei um pouco chateada. Foi assim: por causa da chuva, nos disseram que a gente poderia escolher o que fazer na cidade. Desse jeito, fácil de escolher. Acabou que no meu grupo ninguém teve muita ideia e nós fomos para a Paulista.

Comemos um hamburguer (acabei de perceber que eu comi hamburguer três vezes nessa viagem. Ops) no Burguer Joint (muito bom) e depois fomos andando até a Japan House, que acabou não tendo nada de muito emocionante. Aí, no meio disso, a gente tinha que fazer um vídeo sobre os acontecimentos desse dia mas, como a gente não fez muita coisa, não tinha muito o que documentar. Acabamos editando numa velocidade nunca antes vista um resuminho dos nossos roteiros e dos nossos dias.

Às 16:00 tínhamos que estar no Ibirapuera (na verdade no MAC, Museu de Arte Contemporânea) para o fechamento. Essa parte realmente não rolou pro meu grupo e é uma das poucas coisas desses três dias que eu olho e penso que queria que tivesse sido diferente: é que o Wilton, como figura pública muito compromissada, teve que sair mais cedo porque ele tinha uma reunião. Aí ficamos meio perdidos com a Andreia, que dava eletiva ano passado, só porque a gente não conhecia ela direito nem nada. Eu queria chorar e estava pronta pra chorar no fechamento, mas só não rolou mesmo. A verdade é que eu queria um fechamento de todo mundo, com discurso do João estilo último dia de aula e abraço coletivo. Acho que eu coloquei as expectativas lá em cima demais.

De qualquer jeito, minha última lembrança do Móbile na Metrópole é boa. Todo mundo sentado em uma sala, tipo no sarau, e os professores mais queridos da minha vida lá na frente agradecendo e concluindo o estudo do meio que demorou tanto pra chegar e foi embora tão rápido. A gente aplaudiu e espero que eles tenham se sentido tão queridos quanto eles fazem a gente se sentir. O MNM é, sim, sobre sair da bolha e se encontrar em outros lugares. Mas não dá, não tem jeito: saber que a gente tem um abraço quentinho (físico ou metafórico) pra onde voltar, não tem preço.

CONSIDERAÇÕES FINAIS E MELHORES MOMENTOS

Tomei a liberdade de mudar um pouquinho esse pedaço do post para fazer ele ter mais a minha cara; espero que não tenha problema.

Todos os dias, na conclusão, eu tinha dificuldade de escolher, especificamente, minha parte favorita do dia. Isso porque, talvez, o dia como um todo tenha sido minha coisa favorita. Não é desculpa pra não ter que falar, não, eu desenvolvo: os lugares que eu fui – e também os que eu não fui e fiquei querendo ir – foram mobilizadores de muitas reflexões nesse universo louco que é minha cabeça. Digo, a experiência de estar na cidade em contato com um mundo que não é (ou não era) o meu fez com que eu tomasse novas perspectivas sobre um montão de coisas. Vou falar mais sobre as duas que eu mencionei nos relatos da quarta e da quinta-feira.

Na quarta, descobri – ou redescobri – uma forma de viver a cidade, no sentido que a gente não é acorrentado a um estilo de vida e nem precisa ser pra sempre do jeito que a gente é hoje. E coisas simples, como usar bicicleta para se locomover, compartilhar as roupas e o espaço de trabalho e se desprender dessa lógica meio maníaca do lucro em 100% do tempo. Acho que o que eu quero dizer é que foi bem aliviante perceber que as pessoas que não acreditam cegamente que “tempo é dinheiro” existem e vivem bem na mesma cidade que eu.

Da quinta, na experiência não tão agradável na mesquita, eu levo que a vida real não são as palestras combinadas, que as pessoas nem sempre tem comportamento de aluno Móbile e que a gente precisa ter jogo de cintura pra lidar com esses imprevistos e conseguir crescer com eles, lidando de forma madura e não perdendo a cabeça. É que fora dos portões da escola, a gente é gente como todo mundo, dá pra entender? Sim, a gente vem de uma parcela super hiper mega privilegiada da sociedade, mas tem situações em que acabam puxando nosso tapetinho de benefícios e, é, eu não vou entender quando as pessoas conversarem em árabe entre si ou o filme for em francês. Não sei se dá pra seguir essa minha linha de raciocínio: a gente cresce muito acostumado com tudo pronto e acertado e, se não for assim, com alguém que acerte pra gente. Infelizmente o mundo em que a gente vive é extremamente desigual e a posição que ocupamos (e por muito tempo sem questionar essa mesma) é muito elevada e deixa para trás todo um outro universo de pessoas que não cresceram por cima como a gente. O MNM abriu, de uma forma muito realista, meu olhos pra coisas que eu tinha consciência que aconteciam e que funcionavam em certa dinâmica mas nunca tinha me visto parte – e isso faz uma baita diferença. Percebi, também, que ainda tenho muita coisa para aprender.

De verdade, não dava pra ter previsto nada do que ia acontecer nessa viagem, só porque eu acho que não tem como uma experiência ser mais pessoal do que essa. Minha conversa com a cidade não é idêntica a de ninguém e nem pode ser, porque cada um tira reflexões ou ideias diferentes de situações idênticas e isso é muito bonito, se for parar pra pensar. Eu não sei, é muito difícil explicar em um texto (ou vídeo ou o que quer que fosse) essas coisas sem parecer meio over.

Pra finalizar: no começo da viagem, eu não achava meu roteiro ou meu grupo ideais. Lá no final do terceiro dia, eu entendi que era assim que tinha que ter sido mesmo e não sei se eu mudasse teria sido tão bom quanto foi. Sair da zona de conforto faz uma diferença imensurável, apesar de ser desconfortável por um bom tempo, inicialmente. Não sei. Eu já apaguei as últimas linhas desse parágrafo um milhão de vezes e eu tô perto do horário do prazo. Só queria ressaltar o quão grande é a mudança que esses três dias proporcionam (que esses sejam só o começo) e como isso foi, de longe, a minha coisa favorita.

Ou eu podia ter dito que foi o sarau e ter acabado logo com isso.


Se você chegou até aqui, você é incrível! Vou me conter nos próximos posts, eu prometo.

– Gabi, que ainda tá achando estranho andar de carro

Um pouquinho do meu MNM, Cons

Olá, leitores do blog! Hoje eu vim contar um pouco para vocês da minha experiência com a viagem do Móbile Na Metrópole.foto ilustrativa do grupo 3

DIA 0

Então, começando com o dia de preparação para a viagem, saímos da escola já separados nos nossos grupos por roteiros, cada um decidindo de que maneira queriam ir. Meu grupo, o grupo 3, resolveu pegar um ônibus até a Faria Lima e ir andando até o MIS. Ao chegar lá nos encontramos com os outros grupos, sentamos um pouco e já entramos todos para a sala em que assistimos o filme. Vimos o documentário (R)evoluções Invisíveis e depois discutimos por alguns minutos o que assistimos. Após a atividade pegamos o ônibus novamente para voltar para escola e de lá fomos todos embora.

DIA 1 – QUARTA-FEIRA

Para o começo da viagem, acordamos muito cedo e nos encontramos todos na escola as 6:30, colocamos todas as malas no ônibus e nos separamos nos roteiros do dia anterior. Cada grupo saiu para a sua atividade e o grupo 3 decidiu ir andando até o Ibirapuera.

Ibirapuera

Lá, nos sentamos na grama para fazer uma atividade de meditação quando, supostamente, um homem que andava no parque resolveu fazer uma atividade musical conosco, nos ensinou a fazer várias composições de sons com nossos corpos. Depois de aprendermos todos os sons, nos separamos em grupos e começamos a juntar diferentes sons juntos, os modificando. Depois de toda a atividade e mais tarde no dia, descobrimos que, na verdade, essa era uma atividade planejada e o homem era um homem chamado Maurício que fazia parte do grupo musical Os Barbatuques. De qualquer maneira, a atividade foi muito legal e eu entendo o objetivo em mostrar que se nos deixarmos podemos conhecer pessoas muito interessantes na cidade.

Liberdade

Depois disso resolvemos pegar um ônibus para a Liberdade, chegamos na Praça da Liberdade e seguimos para uma loja de artigos religiosos. Olhamos um pouco em volta e refletimos um pouco sobre como é possível ter todas as religiões em um mesmo local sem ter nenhum problema, de um modo respeitoso, uma questão de tolerância religiosa muito presente nos dias de hoje. Depois disso seguimos para a Igreja dos Enforcados. Lá conhecemos um pouco o local e aprendemos um pouco sobre sua história, descobrindo a história de Chaguinha, um símbolo local que foi líder de revoltas e por isso foi enforcado, após duas tentativas, na praça, por isso o nome. Além disso pudemos ouvir histórias pessoais de trabalhadores do local. Depois desse fomos para a Capela dos Aflitos, onde fizemos o mesmo andamos olhando todo o local e paramos para conversar com uma mulher e descobrir um pouco do local. Logo após, fomos para um Mosteiro Budista. Ao chegar, deixamos nossas coisas e fomos para o tatame com o monge Jishoo para conhecer um pouco o lugar e meditar. Ele nos contou um pouco de como esse mosteiro tinha surgido e o funcionamento desse para a população local, além da conexão desta com as práticas budistas do local. Após essa breve explicação, pudemos gastar ainda um tempo com perguntas que tínhamos sobre a religião.

Almoço

Depois do mosteiro, seguimos para almoçar em um restaurante macrobiótico, que basicamente consiste em um regime alimentar Yin e Yang com uma combinação de sódio e potássio. Essa ideologia se baseia na ideia de que para ter uma vida balanceada é preciso de uma alimentação correta. Fomos para um restaurante chamado Satori que, para ser sincera, eu não gostei nem um pouco. Mas enfim, depois dessa experiência traumática o grupo voltou para a Praça da Liberdade.

Feminaria

Depois do almoço o grupo esperou por 1:30, sim você leu certo, para conseguirmos pegar um ônibus para a Feminaria. Esse é um espaço de coworking para mulheres, basicamente, existem planos que as mulheres com negócios podem pagar para virarem associadas e assim que possam ajudar umas as outras a levantar o mercado dessas mulheres, criando uma rede econômica. Quando chegamos no local, ouvimos um pouco da proposta e pudemos entrar em uma discussão sobre o lugar da mulher no mercado e o feminismo nos dias atuais, que eu achei que foi uma discussão incrível, principalmente por estarmos acompanhados por duas professoras lindas que podiam contar um pouco como é a situação de mulheres na educação. Um problema que achamos e discutimos bastante ao sair do local foi o fato (que me incomodou muito) do estabelecimento não levantar a bandeira feminista. O local é completamente decorado com símbolos importantíssimos da luta e tem um objetivo que faz todo o sentido com o feminismo mas não se considera feminista já que segundo uma organizadora, dar esse título a empresa não seria bom para o lucro dessa já que mulheres que não se consideram feministas não iriam querer entrar, portanto usando a causa somente pelo lucro que essa pode trazer e não pelos ideais. Além disso algo que me incomodou foi a segregação que ocorre em locais como esse que se dizem ser voltados para o social mas tem preços muitos altos e, portanto, separam as mulheres que podem pagar por essa ajuda para as que realmente precisam dessa força no mercado mas não tem condições de pagar. Ao comentarmos essa crítica, a resposta que obtemos é que tudo bem já que a empresa dá algumas vagas sociais para algumas mulheres que não podem pagar. Bom, basicamente, é possível perceber que a visita foi um pouco decepcionante mas mesmo assim, fico feliz que fomos e tivemos a oportunidade de pensar sobre essas coisas.

Centro de Acolhida para Mulheres Trans

Depois da Feminaria, o grupo já estava um pouco desanimado mas teve a linda surpresa de ter uma das melhores experiências no Centro de Acolhida. Chegamos quando já estava escurecendo e já estávamos todos mortos de cansaço, conhecemos o local e os organizadores e pudemos conversar com algumas pessoas. A parte mais importante, para mim, foi conhecer uma mulher chamada Sheila que nos apresentou a casa e o jardim dessa que foi feito com muito carinho por ela. Nos contou um pouco sobre sua trajetória até chegar ali e de sua vida, nos mostrando sua paixão que é a botânica e a jardinagem. Essa foi uma conversa que completamente me mudou e me fez abrir os olhos para a vida e os preconceitos sofridos pelos outros que muitas vezes pessoas que estão em posições mais privilegiadas como eu, não percebemos. Eu fiquei tocada e inspirada por sua fala, me surpreendendo pela paixão e esperança que ela conseguia passar para nós, algo que eu sentia que estava precisando. Perceber como alguém consegue olhar para o lado bom e sempre com esperança para o futuro me mexeu completamente. Essa foi uma visita que todos nós que estávamos presentes tivemos sorte de podermos fazer pelo menos uma vez, mudou minha visão para o mundo, o que eu sempre procuro fazer cada vez mais. Eu com certeza diria que essa foi a melhor parte do dia, nos emocionar com as histórias e os sentimentos das mulheres de lá e ter o privilégio de conhecer pessoas tão fortes e inspiradoras que nos acolheram e nos fizeram sentir confortáveis e seguros naquele local. Eu sinto que essa é uma experiência que eu vou levar comigo para o resto da minha vida, nunca esquecerei de como me senti estando lá e presenciando a dor das mulheres sendo transformada em amor e esperança, é algo que tentarei fazer e lembrar toda a minha vida.

Atividade noturna- Sticker

Após acabar a visita no Centro, pegamos um ônibus e metrô e voltamos para o hotel. Tivemos um tempo para comer e trocar de roupa para logo seguir para a atividade da noite. Podíamos escolher entre fazer Break, Parkour ou Sticker mas como eu não consigo fazer nada relacionado a esportes eu escolhi fazer Sticker. Fomos todos para a Praça Roosevelt, que eu nunca tinha presenciado de noite e completamente me apaixonei pelo ambiente com as pessoas andando de skate, tocando música e se divertindo. Lá nos dividimos e já começamos a fazer as atividades, tivemos uma breve apresentação do Sticker e começamos a desenhar. Ao começar eu não tinha a menor ideia de como isso seria difícil de fazer, tive a ideia de fazer um coração, fiz o desenho mas na hora de cortar o molde eu acabei estragando todo o desenho. Fiquei bem triste em saber que eu não consegui fazer a atividade e ainda acabei me sujando toda de tinta spray que ficou na minha mão por dois dias.

DIA 2 – QUINTA-FEIRA

Ocupação Cambridge

Começamos o dia indo para a Ocupação do Hotel Cambridge. Chegamos lá e conhecemos a biblioteca e logo subimos para o terraço do prédio que tem uma vista linda da cidade, lá pudemos conversar com Gilberto, um homem que mora na ocupação, sobre essa. Descobrimos um pouco sobre a organização do local com os moradores e as regras que esses precisam seguir para o funcionamento do local, assim como um pouco da história do local. Essa foi uma visita muito importante para quebrar a visão que tínhamos de ocupações como lugares sujos e desorganizados.

House of all – food, work, bubble e learning

Depois da ocupação, pegamos um metrô para Pinheiros e fomos conhecer as Houses. Começando pela House of Bubble, essa é um lugar para que os locais possam alugar algumas roupas do local e depois devolver ou usar o local para lavar as roupas, isso com o objetivo de um consumo mais consciente. Após esse fomos para o House of Learning que tem salas para as pessoas associadas fazerem reuniões, apresentações ou palestras no local. O House of Food tem cada dia um chef diferente para cozinhar no restaurante como se fosse uma cozinha comunitária que é emprestada. Depois desse fomos para o House of Work que seria uma casa que as pessoas pagam para poder ocupar uma mesa para trabalhar. Todas essas Houses são vizinhas e foram criadas pelo mesmo dono que tinha como objetivo criar um local comunitário de trabalho.

Coletivo Digital

Logo depois, seguimos andando por Pinheiros até chegar no Coletivo DIgital que é um local que não tem objetivo de lucro que ajuda as pessoas a aprenderem a editar vídeos e áudios com auxílio do governo.

Almoço

Depois das atividades fomos comer em um restaurante árabe chamado Pita Kebab, o que nos deu um tempo para recarregar nos forças para o resto do dia.

João Galera

Depois de comer, fomos andando para a casa do artista João Galera. Ele nos mostrou um pouco sua trajetória na arte e também seus trabalhos e o processo de produção desses. Essa foi a parte do dia que eu mais gostei, achei incrível ouvir alguém falar de suas paixões especialmente quando elas se relacionam com a arte que é algo que eu gosto. Também é muito bom conhecer pessoas que seguiram carreiras “menos convencionais” como a arte e saber que essa é uma opção real que normalmente não é muito explorada.

Padaria

Ao sair da casa do João Galera, estávamos indo em direção ao próximo destino quando descobrimos que o Presidente Michel Temer ia fazer um pronunciamento e como todos achávamos que esse ia renunciar a presidência e esse seria um momento histórico, resolvemos ,como um grupo, parar em uma padaria para assistir.

Unibes

Depois do alarme falso, seguimos com o roteiro e fomos em direção ao Centro de Cultura Judaica para ter uma apresentação sobre essa religião, que sinceramente foi a pior parte do dia com uma apresentação bem tediosa.

Sarau

Depois de voltarmos para o hotel para jantar, saímos de novo para o Sarau, esse é um evento para que todos que tinham algum talento musical possam se apresentar. Foi muito legal poder ouvir músicas tocadas pessoas incrivelmente talentosas que são da nossa sala mas não temos muitas oportunidades para ouvi los se apresentarem.

DIA 3 – SEXTA-FEIRA

Vila Maria Zélia

Começamos indo para uma vila de trabalhadores chamada Vila Maria Zélia para assistir uma peça de teatro mas, infelizmente, essa era ao ar livre e estava chovendo muito então não pudemos assistir a apresentação. No fim acabamos fazendo um bate-papo com os participantes e perguntamos muitas coisa para o nosso trabalho!

Aventura em Grupo

Depois disso, a última atividade podia ser escolhida pelo grupo, podíamos ir a qualquer lugar que quiséssemos. Nós decidimos depois de muito debate que queríamos usar o nosso dia para ajudar um pessoa que nos tocou tanto. Quando fomos para o Centro de Acolhida e conhecemos Sheila, ela nos contou que a casa estava passando por um período difícil e ela estava sem os materiais para poder fazer a jardinagem e nós decidimos que queríamos comprar esses como um presente para ela. Nos separamos em dois grupos, um grupo iria sair para comprar os materiais enquanto o outro, que eu estava, foi direito para o restaurante escrever a carta que estaria junto do presente.

Almoço

Fomos, metade do grupo, comer no restaurante Comida di Buteco e sem nenhuma espera começamos a escrever. Enquanto estávamos fazendo a carta a outra parte do grupo chegou com os materiais e essa comeu enquanto terminavamos. Como estávamos atrasados, começamos a correr para fazer as coisas.

Centro de Acolhida

Voltamos para o Centro e surpreendemos Sheila com os materiais e conversamos um pouco o que a visita para esse local significou para todos nós e lemos a carta escrita por nós. Como estávamos, como sempre, atrasados tivemos que correr para se encontrar com os outros grupos no MAM.

MAM

Ao chegar no local, nos sentamos nos grupos e fizemos um pequeno fechamento da viagem comentando o que cada um achou e sentiu com a experiência, basicamente foi um momento super emocional. Depois todos os grupos nos reunimos e o objetivo era mostrar os vídeos feitos por cada grupo sobre o que tínhamos feito mas não deu certo então somente escolhemos um representante e esse falou para todos o que tinha acontecido. Essa foi a finalização da viagem, nós voltamos para a escola com os grupos e realmente acabou.

Obrigada por lerem esse texto imenso sobre a minha viagem e até o próximo post!

– Cons, sentindo se exausta

A viagem do MNM, Bruni:

Caro leitor,

Vou contar um pouco sobre a viagem do Móbile na metrópole para São Paulo,espero que goste: 

Terça-feira, 17/05/2017

No início foi estranho.Cheguei na escola e descobri que em um grupo de 22 pessoas,3 delas são meninos(inclusive eu).De cara, o grupo teve que escolher o caminho para chegar até o MIS(Museu da imagem e do som).Pegamos um ônibus público,fomos até a Faria Lima e de lá o grupo seguiu a pé até o MIS. Vimos o filme ““(R)evoluções Invisíveis” que mostrava algumas sociedades que visavam retardar a aceleração da vida em busca de uma vida melhor socialmente,ecologicamente e economicamente.O filme foi muito bom,pois mostrou que iniciativas individuais podem fazer a diferença. Esses conceitos foram ampliados com a discussão posterior. O grupo voltou da mesma maneira que foi.Primeiro andamos até a Faria Lima,entramos no ônibus circular e voltamos até a escola.Para mim,o ponto alto desse dia foi a própria discussão do filme visto. 

Depois dessa experiência de 5 horas, percebi que enfrentaria essa metrópole ferozmente durante 3 longos dias.Mesmo andando muito e encarando 2 longas avenidas( e um pouco mais) percebi que o MNM seria intenso,porém gratificante.

Guilherme Bruni 🙂
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Quarta-feira, 17/05/2017

Se você,caro leitor, acha cedo acordar 6:40 da manhã para ficar sentado na cadeira 5 horas,imagine acordar 5:00 para percorrer quilômetros de transporte público, andar por horas,ir de um canto a outro da cidade e ainda sobrar tempo para praticar parkour. Esse foi meu primeiro dia que vou lhes contar agora.  

Após acordar 5:00 com minha mãe gritando”levanta Guilherme vai chegar atrasado!” fui até a escola e de lá partimos para São Mateus. Foram mais de 15 km até o distrito que ficava na zona leste de São Paulo. Chegando lá conheci Negotinho e Quinho,dois moradores e grafiteiros locais que nos acompanharam no trajeto. Foi uma experiência única,pois conheci uma realidade totalmente diferente da minha e as dificuldades que os moradores de São Mateus tinham. Fiquei impressionado com todos os grafites que vi e como essa arte realmente representava aquela comunidade.Além disso,ouvimos Negotinho improvisar na rima e Quinho fazer um grafite ao vivo

Saímos de São Mateus e fomos até o mercadão de Pinheiros. Comi um ótima pizza e de lá partimos para Vila Madalena. O grupo passou pela galeria a7ma,pelo beco do Batman e tivemos uma oficina de beatbox com um profissional. Finalmente fomos para o hotel “Novotel” e lá jantamos. Após me acomodar no quarto(e buscar minha mala não entregue) fui com outro grupo fazer parkour na praça Roosevelt. Mesmo muito cansado consegui pular escadas,subir em muros altos e escalar paredes(pelo menos tentei).

Resumindo, esse dia me marcou muito pelas várias experiências que tive e pelas coisas que vi durante o trajeto. Mesmo sendo o segundo dia, considero o melhor da viagem inteira.

Guilherme Bruni 🙂    

Quinta-feira, 18/05/2017

Eis que chegou o terceiro dia de viagem. Acordei 6:40 e fui tomar café no hotel.Uma refeição cheia de frutas,pães e principalmente Nutella. Logo após o café da manhã,o meu grupo(7) foi até a ocupação Prestes Maia localizada na região da luz,centro de São Paulo.Em um prédio de 22 andares vivem mais de 400 famílias em situações nada agradáveis.Mesmo não concordando totalmente com a ocupação,ouvi atentamente a pessoa que nos acompanhou na visita e tentei entender o ponto de vista dos ocupadores.Após essa experiência,o grupo seguiu até o “Memorial da Resistência de São Paulo”  um museu que preserva as memórias da resistência e da repressão políticas em São Paulo.Esse local me marcou muito,pois era possível ver as estruturas da prisão,as torturas que os presos sofriam,o que eles sentiam naquele lugar e muitas outras coisas que rodeavam aquele local de resistência.Fomos almoçar no restaurante grego “Acrópoles” no Bom Retiro,onde comi um ótimo prato de arroz,batata e filet mignon.

Na parte da tarde, o grupo 7 foi até o teatro de contêiner Mungunzá,localizado na região da luz.Mesmo parecendo uma propriedade privada,o local era público e o teatro era na verdade mais uma ocupação.A idéia daquele teatro era muito boa,uma vez que as peças estreladas tinham um preço acessível ao público(de 5-20 reais,aproximadamente) e tratavam de temas atuais,como a peça “Luis Antonio-Gabriela” que reflete sobre a situação do transexual na sociedade.

Após essa visita fomos à “casa do povo”,um espaço criado por imigrantes judeus progressistas(de várias correntes de esquerda) que disponibiliza seu local para várias atividades culturais que possam desconstruir tabus da sociedade moderna,como um local para fazer a própria roupa e refletir sobre a moda atual. Depois de um dos dias mais intensos da minha vida,finalmente voltei para o hotel.Jantei,me preparei e fomos para o tão esperado sarau,onde alunos e professores cantaram.Com certeza foi o ponto alto do meu dia,pois ouvi meus amigos(e professores) cantarem e se divertirem juntos.Por fim,voltei para o hotel,comemorei o aniversário de 2 colegas e fui dormir.

Guilherme Bruni 🙂

Sexta-feira, 19/05/2017

A viagem estava no fim. Depois de 3 dias intensos andando,correndo e pegando transporte público,faltavam poucas horas para eu voltar para minha vida normal. Começou na correria no hotel,pois era necessário fazer o check out 7:30,porém acordei 8:15. Sim,isso mesmo que você leitor escutou.Consegui chegar á tempo,não tomei café,não troquei de roupa,esqueci algumas coisas no quarto,mas cheguei com tempo. Todos os grupos foram até a “Vila Maria Zélia”,um local histórico onde são exibidas peças. Iríamos ver uma apresentação ao ar livre,porém estava chovendo forte e ficamos conversando com alguns organizadores daquela vila.

Finalmente nos foi revelada a atividade surpresa e fiquei muito feliz com ela.O grupo deveria escolher um local para ir(dentro de São Paulo) que representasse nossa experiência durante a viagem.Depois de muita discussão,decidimos ir á estação da luz entregar flores para as pessoas,com intuito de deixá-las felizes,ou pelo menos arrancar um sorriso no rosto dos cidadãos.Almoçamos em um restaurante na rua e fomos para a estação. Muitos aceitarão a flor,outros não,mas ver o sorriso estampado na cara das pessoas me deixou muito feliz e isso foi o ponto alto do meu dia. Fomos ao MAC(museu de arte contemporânea) e lá tivemos nosso encerramento. Foram tiradas várias conclusões no local e vou compartilhar duas que conclui eu mesmo.1- Ao longo dessa viagem foram desconstruídos vários preconceitos que tinha,como a minha aversão aos transportes públicos e minha visão à respeito das ocupações. 2- Descobri que sou muito privilegiado dentro da sociedade e devo fazer o que puder para ajudar os outros que estão em situações piores que a minha.Gostei muito dessa viagem e tenho certeza que essa experiência mudou minha visão sobre o mundo em que vivo.

Muito,muito,muito obrigado por lerem meus relatos de viagem e até os próximos posts!

Guilherme Bruni 🙂

   

A viagem do MNM, Alex

Prezado leitor,

Aqui embaixo segue um resumo de como foi o meu Móbile Na Metrópole. Espero que curtam:

17/05/2017

Hoje o dia começou com os grupos (dos roteiros) se conhecendo melhor e descobrindo o professor(a) que irá acompanhá-los por esses 3 dias (fiquei feliz porque a Teresa é a do meu grupo). Logo após fomos ao Museu de Imagem e Som de transporte público(onde os integrantes do próprio grupo decidiam o caminho), para assistir o documentário “(R)evoluções Invisíveis”. Ao assistir ao documentário fiquei surpreso com a grande quantidade de ações e ONGs espalhados pelo mundo com o intuito de cuidá-lo e melhorá-lo. Certamente a iniciativa que me deixou mais surpreso foi a do mercado orgânico, onde as pessoas trabalhavam um pequeno tempo em troca de crédito, mas ela apenas me deixou desse modo por conta de estar em Nova Iorque (cidade movimentada) e muitas pessoas não o conhecerem. Depois houve uma discussão sobre ele e em seguida voltamos à escola. Mas hoje foi apenas um aperitivo do que viveremos nesses próximos 3 dias.

18/05/2017

O dia começa com todos grupos se juntando e indo ao parque Ibirapuera. O grupo 1 (grupo em que eu estava) foi atrás do Auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer para meditar. No final da meditação iniciariamos uma discussão dessa experiência quando de repente chega uma mulher fazendo música com o próprio corpo. O nosso grupo entra nessa brincadeira e começa fazer “música”. Depois vamos à cobertura do Copan onde tiramos várias fotos da cidade vista de cima. Em seguida fomos à um centro onde acolhem moradores de rua dependentes químicos. Na entrada do local, um integrante do grupo disse “Bom dia” para um dependente quimico que sentava em um sofá, ele se cobriu com o seu agasalho para se esconder de nós, claramente isso me marcou. Após entrar, conversamos com o Mauro que nos explicou como o local funcionava e nos contou a sua linda história de superação. Logo após fomos ao Palacete Teresa para almoçar (comida deliciosa), também lá conversamos com Rubens, um dos fundadores do restaurante que queria tornar a cidade um lugar melhor de se viver. Depois fomos ao Preto Café onde o consumidor decide o quanto vai pagar pelo aquilo que consome, e la conversamos com Mauro (diferente do anterior). A noite, eu fiz a oficina de parkour onde pulamos e nos divertimos.

19/05/2017

Hoje o dia começou com um ótimo cafe da manha. Logo depois fomos à ocupação Marconi onde o Roberto, um dos integrantes do Movimento de Moradia Para Todos, explicou como as ocupações funcionavam. Logo depois voltamos ao hotel para pegar as “bikes” e passear pela cidade. Após um longo trajeto de “bike” nós fomos ao restaurante Pitico comer uma deliciosa comida árabe. Depois fomos a pé ao Aro 27 (um café junto de uma bicicletária) onde conversamos com Fábio (o dono do Aro 27) sobre a situação da bicicleta como meio de transporte em São Paulo. Após uma pequena chuva voltamos no trajeto para retornar ao hotel. Mesmo cansados continuamos pedalando. Ao chegar no hotel, o Fagner (líder da companhia de guia turismo de bicicleta) começou a contar a sua história que certamente tocou todos. Aos 15 anos ele havia se envolvido no tráfico de drogas, aos 16 ele  tomou um tiro na cabeça que fez ele ficar 2 meses na UTI e além disso perder a audição de um ouvido. Ele voltou ao tráfico e aos 20 anos ele foi preso. Ao querer trocar esse estilo de vida, ele tentou se tornar motobói da McDonald’s, ele não aceitaram ele por conta de seus antecedentes. Isso o deixou extremamente deprimido mas ele decidiu criar essa empresa de guia turismo de bicicleta. Ao longo do tempo essa empresa cresceu e hoje ela é uma empresa referência nesse setor.

20/05/2017

O quarto dia não começou bem por conta de uma forte chuva. Isso não permitiu que o grupo XIX apresentasse por conta de seu espetáculo ser ao ar livre, na Vila Maria Zélia(isso não ocorreu em toda história do Móbile na Metrópole). Para adaptar a esse acontecimento, conversamos sobre o teatro e seu impacto na cidade. Os professores decidiram adaptar a última atividade a chuva, e nos deram a tarefa de escolher o local que melhor representaria esses 3 dias. O meu grupo tinha decidido que o mais importante desses 3 dias foi a união, companheirismo do grupo e as pessoas que nós havíamos convivido com. Logo decidimos ir  à estação de metrô e propor atividades (contaremos uma piada a essa pessoa ou ela pode nos contar uma história)  para o público por livre e espontânea vontade faze-las. Em seguida fomos ao Museu de Arte Contemporânea juntar todos os grupos e se despedir dessa incrível experiência.

Alex Augusto Simões Moussalli

 

A viagem do MNM, Kami:

Caro leitor,

Vou lhe contar um pouco sobre a minha experiência nessa viagem de estudo do meio. Aconteceram tantas coisas que fica até difícil selecionar apenas algumas. Bom pra começar:

Terça-feira, 17/05/2017

São Paulo, metrópole

Hoje fomos para o MIS (Museu da Imagem e do Som de São Paulo), foi muito bom e aconteceram várias coisas que vou guardar em minha memória. O documentário “(R)evoluções Invisíveis” que vimos foi excepcional e me levou a diversas reflexões que puderam ser aprofundadas na discussão que tivemos em grupo. Mas confesso que o momento mais marcante de hoje não foram nenhum desses. Se eu te contar aposto que você nem vai acreditar que foi no caminho para o museu, que decidimos fazer a pé (minhas pernas estão bambas até agora), o acontecimento que achei mais marcante. Estávamos atravessando uma avenida, e eu sempre no fundo (esportes não são o meu forte), o Fepa, monitor do meu grupo e também nossa professor de filosofia, novamente estava falando: “Bora galera acorda!”, e a gente correndo ao sinal que a luz vermelha se tornava verde para os carros. De repente ouço uma musiquinha: “corridinha mixuruca…” (leia com a melodia daquelas músicas do exército). Eu achei aquilo tão engraçado, entre outras serenatas que nosso grupo cantou durante todo o caminho em que fomos a pé dede a Móbile até o MIS, desde Rap até Sertanejo. Bom, resumidamente, foi nesse momento que percebi que esse grupo, de pessoas que eu não conhecia muito bem, faria da minha viagem melhor!

Kamila Addel Wansa

Quarta-feira, 17/05/2017

São Paulo, metrópole

Acho que de todos os dias dessa viagem, o que mais gostei foi hoje! Fizemos tantas coisas que pareceram dias e não apenas algumas horas. De todas essas coisas a que mais me marcou foi quando estávamos na escadaria do Bixiga e encontramos um moço chamado Maurício que espontaneamente nos abordou e perguntou se poderia fazer alguns exercícios de teatro conosco. Nós tivemos uma postura bastante acolhedora diante daquilo e aberta a novas experiências. Ficamos em uma roda e fizemos diversos exercícios vocais e de alongamento, foi tudo muito bacana! E eu, fiquei abismada que esse tipo de coisa realmente acontecia! Depois de algum tempo eu estava conversando com alguns amigos ( que não tinha muito contato antes dessa viagem), e eles me disseram que a mobile tinha o convidado para essa experiência, eles tinham descoberto isso por meio de foto dos outros grupos que também tinham passado pela mesma coisa. Confesso que fiquei chateada quando soube, porque me senti enganada de certo modo, mas depois tive uma conversa com o Fepa, que achei bastante construtiva. Discutimos se isso mudaria a experiência que tivemos, e chegamos a conclusão de que não, então por mais que a memória que eu tenha agora possa ser diferente, o que eu passei naquele momento não mudou, por isso acredito que não poderia deixar de escrever sobre esse acontecimento, que por mais que tenha sido programado, não deixou de ser tão especial!

Kamila Addel Wansa

Quinta-feira, 18/05/2017

São Paulo, metrópole

Hoje tivemos um dia mais light comparado com o de ontem. Tivemos mais tempo para parar e olhar ao nosso entorno, e o que e quem havia nele. Consegui conversar com diferentes pessoas do meu grupo que nunca havia falado antes, e foi muito bom perceber que há tantas pessoas que estão ao meu redor e muitas vezes não consigo nem sequer dizer algo, seja por causa do cotidiano corrido ou por cada um de nós estarmos em uma bolha dentro de nossos próprios grupinhos de amigos. De todos o acontecimentos desse dia o que mais me marcou foi ter tocado e cantado com a professora de história no ukulele, uma música que significa muito pra mim. Tínhamos voltado do sarau, e já estávamos no hotel. Eu já estava subindo para o quarto quando chamei: “Teresa!”(não lembro exatamente o que eu tinha que lhe dizer), ela logo em seguida me fez um gesto com a mão para esperar, dai eu percebi que ela estava cantando, e me sentei junto da roda de pessoas que já a cercavam. Na hora que eu percebi que a música que ela estava cantando era “La vie en rose” em uma versão em inglês, não me aguentei e esperei ela terminar de cantar e logo peguei o meu ukulele e pedi que ela cantasse comigo tocando. Acontece que o que me fez querer tocar esse instrumento foi justamente essa música. Em um episódio da minha série preferida, How I met you mother, uma das personagens canta e toca uma versão desse clássico no ukulele, e eu desde a primeira vez que vi, sempre quis aprender esse instrumento, só para pelo menos aprender a tocar essa canção, que sempre amei, desde pequenininha quando escutava a versão original em francês da Édith Piaf com meu pai no caminho da escola. Bom, eu achei aquilo muita coincidência, e a gente ter tocado assim espontaneamente fez disso um momento extremamente marcante e especial para mim, por isso tive que destaca-lo hoje, por mais que tenha sido breve, foi muito especial para mim.

Kamila Addel Wansa

Sexta-feira, 19/05/2017

São Paulo, metrópole

Para mim está muito claro que o que mais me marcou hoje foi a visita para o Memorial da Resistência de São Paulo. Devido a alguns contratempos por causa da chuva, os professores tiveram que mudar a programação, e foi assim que fomos para o DOPS. O meu grupo estava entre a Japan House e o Museu da Resistência, no fim a maioria votou na segunda opção, e assim fomos para a estação da luz. Ao chegarmos lá tivemos bastante tempo para olhar o antigo prédio da ditadura, e refletir sobre diversas coisas. A melhor parte da visita foi a discussão que tivemos em grupo após termos visto a exposição. Levantamos alguns aspectos relacionando aquela época aos dias de hoje, e como certas coisas continuam as mesmas, afinal até hoje certas pessoas continuam sendo caladas seja pelo governo ou pela própria sociedade. Esse momento foi muito importante para eu perceber que ao mesmo tempo que nós condenamos a ditadura militar e os danos que ela causou, ignoramos os vestígios que ela nos deixa até hoje. Acredito que embora essa experiência tenha sido angustiante, foi essencial para eu enxergar que isso faz parte de nosso passado, e não podemos só apagá-lo.

Kamila Addel Wansa

Sobre estar saindo para cidade e não parar de pensar

E assim, de uma hora para a outra, estamos nós na semana da famigerada saída do Móbile na Metrópole. De verdade, foi só fechar os olhos nas mensais do primeiro bimestre, das quais reclamávamos aqui no blog, para acordar no meio de maio, com a viagem batendo na nossa porta (e o Fepa nas salas para cobrar autorização). Provavelmente você, leitor, não tem dimensão do tamanho e do impacto dessa quarta, quinta e sexta em um panorama geral do 2º ano. Te colocamos nessa dizendo que, talvez, o MNM seja a coisa da nossa série: é impossível estudar na Móbile sem ouvir, desde sempre, rumores de corredor sobre esse tal trabalho de “estudo do meio em São Paulo”. É esquisito, depois de ouvir tanta história, saber que finalmente chegou nossa hora e vez.

Sobre a saída em si, funciona assim: cada membro de nosso grupo ficou em um roteiro de viagem diferente, ou seja, não estaremos juntos e os lugares que cada um visitará serão diferentes, o que pode ser algo ao mesmo tempo bom e ruim. Talvez no futuro seja difícil juntar os pensamentos singulares de cada um sobre a viagem dentro de um único corpo, o que pode nos dar bastante trabalho, mas também fará com que o nosso resultado final traga diferentes pontos de vistas e experiências singulares com a cidade. Acreditamos que essa dinâmica converse diretamente com o principal objetivo do trabalho, que é sair da bolha e do conforto da Móbile e, na medida do possível, do grupo de rostos conhecidos.

Bom, aqui estão os roteiros de viagem de cada um: o Alex ficou com o roteiro 1 (Centro e passeio de bicicleta), a Cons com o 3, a Gabi com o 6 (Pinheiros e Bixiga), o Bruni com o 7 (São Matheus e Bom Retiro), e a Kami com o 5 (Bixiga e Centro). Não sabemos em quais roteiros cada professor está porque eles (vocês, no caso de um professor-leitor) não irão nos falar até chegarmos ao início das saídas, e isso está nos deixando loucos! Rolou até bolão (falho), análises de personalidade com cada roteiro e crises ideológicas por não sabermos quais professores vão nos acompanhar. Já não dá mais para contar nos dedos o número de vezes que a Gabi disse, só hoje, “Não, porque se for [insira um nome aqui] (…)”.

De nossa parte, estamos bastante ansiosos e sentindo aquele frio na barriga pré-eventos. Lembrando das histórias contadas das viagens de anos anteriores, só conseguimos pensar como será a nossa, com as novidades e mistérios que compõe esses três dias. Sempre ouvimos falar o quanto esse trabalho consegue transformar as pessoas, mas essa sempre foi uma ideia muito longe que nunca realmente entendemos como alguns poucos dias podem mudar nossas visões em relação a cidade e o coletivo em geral. Chegando cada vez mais perto da viagem e cada vez mais dentro do projeto, já podemos ver o começo da entrada para uma rua em volta. É um tanto irônico, já que há exatamente um ano atrás estávamos utilizando a #mobilenaroca, competindo contra a #mobilenametropole ao lado do Digão, e hoje nos encontramos do outro lado, junto da Teresa que aparenta nem levar em comparação esses dois projetos.

Estamos bastante ansiosos, pois não sabemos o que esperar dessa viagem. Os professores e coordenadores estão fazendo muito mistério sobre os eventos que ocorrerão durante o estudo do meio. Os roteiros estão todos definidos (locais de visita, atividades, restaurantes, etc) mas mesmo definidos, a experiência que viveremos não pode ser antecipada (como Larrosa havia descrito). Ao mesmo tempo que não nos disseram qual professor guiará qual roteiro, foi omitido todas as atividades do último dia (19/05, sexta-feira), que também não podemos deixar de imaginar o que será!

Manteremos o blog atualizado na medida do possível, tentando postar impressões pessoais de cada um no final de todos os dias. Essas próximas semanas serão, com certeza, cheias de novos posts que tentarão passar um pouco do nosso sentimento aqui para a internet. Esperem para ver o que acabamos bolando!

Por enquanto, vocês ficam por aqui e a gente sai para descobrir uma nova São Paulo. O quão diferentes podemos voltar? Até mais!

– O Grupo, tirando as malas do armário e começando a arrumar as mochilas